Faz parte de nosso cotidiano “entrar no fluxo”, “agir no automático”, “cair no redemoinho”. Então, de repente, nos damos conta que acabamos de mergulhar involuntariamente no profundo lago dos estados emocionais de alta intensidade. Sem perceber, nos vemos tomados de medo, raiva, tristeza ou alegria, entusiasmo, expectativa… Às vezes é muito agradável mas, às vezes, é muito sofrido. Nesses momentos, acho importante lembrarmos de uma coisa:

“Emoções, sentimentos e sensações não são eternas. Elas vêm e vão. São fugazes, temporárias, efêmeras. Às vezes duram por mais tempo do que gostaríamos, às vezes, menos. Não conseguimos sentir constantemente e eternamente a alegria, o entusiasmo, a tranquilidade… infelizmente! Ainda bem! Tampouco ficamos presos eternamente à dor, ao medo, à frustração. A vida é uma constante alternância desses e de outros estados emocionais”.

Mas, mesmo sabendo disso, ainda sofremos quando experimentamos sentimentos e sensações desagradáveis. E, ao mesmo tempo, curiosamente, nem sempre nos damos conta quando estamos aproveitando o lado prazeroso dessas emoções. Só as percebemos quando já foram embora. Então, o que podemos fazer a respeito disso?

Rudolf Steiner foi um pensador que nos presenteou com algumas ideias que podem ajudar a lidar com essa questão. A ciência que ele fundou, a Antroposofia, nos fala da trimembração do indivíduo: somos, ao mesmo tempo, o nosso Pensar, o nosso Sentir e o nosso Agir. Em um de seus livros mais importantes, A Filosofia da Liberdade, ele apresenta o conceito do Pensar Vivo e do Pensar Morto, nos estimulando a fazer uso do nosso Pensar para adquirir um chamado Estado de Exceção, no qual podemos acessar a realidade além das nossas meras percepções.

Acredito que a ideia do Pensar Vivo e a busca pelo Estado de Exceção possam apontar o caminho de tomada de consciência sobre cada emoção, sentimento e sensação, no momento em que elas nos tomam de assalto. Nem sempre vamos conseguir fazer isso no instante imediato em que somos tomados por elas mas, pelo menos, que possamos aprender a fazer nos momentos seguintes, um pouco depois de realizarmos o que estamos sentindo.

Se sentirmos medo, devemos procurar um espaço seguro para refletir “por que sinto esse medo? o que acho que vai acontecer?”. Se sentirmos raiva, primeiro podemos tentar respirar, respirar, respirar e daí pensar “por que sinto essa raiva?” como o que aconteceu afeta minhas necessidades?”. Se sentirmos alegria, podemos potencializar ainda mais essa emoção se criarmos espaço para nos dar conta de uma dádiva e ativar nossa gratidão.

No ambiente organizacional isso pode ser extremamente útil. Ao tomarmos consciência sobre o nosso Sentir, podemos melhorar a forma como reagimos às situações para aproveitar todo o potencial que elas nos trazem. Pode ser uma oportunidade de aprendermos com uma situação difícil e alavancar nosso desenvolvimento. Pode ser uma situação de alegria que nos traz a oportunidade de praticarmos a gratidão e amplificar uma gostosa sensação de satisfação. Ambos os casos, situações muito importantes para nosso dia a dia.

“Pensar sobre o que sentimos é uma forma de ampliar o entendimento sobre o que aconteceu e estimular nosso autoconhecimento. Durante esse processo, podemos encontrar soluções para as questões que aconteceram no passado e nos preparar para lidar melhor com as situações que vão acontecer no futuro”.

Claro, normalmente, isso é difícil de fazer. Mas se nos dedicarmos, confio que seja possível. Penso que um pouco de dedicação e “treino” podem nos ajudar a conseguir. Talvez não seja possível sempre, mas que possamos fazer mais frequentemente. Acredito realmente que essa prática pode nos ajudar a alcançar mais equilíbrio emocional e a termos uma vida com mais satisfação. Vamos juntos tentar?

*Texto escrito por Gui Rimoli, facilitador da Laborama. 🙂

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Um comentário em “Pensar sobre o nosso Sentir: caminho para o equilíbrio emocional

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