Recentemente, escrevemos aqui um texto que nos ajuda a entender as fases de desenvolvimento das organizações. Para contextualizar, trouxemos o olhar de que não podemos falar de desenvolvimento e cultura organizacional, sem olhar para o desenvolvimento das lideranças. Afinal, empresas são sistemas sociais, vivos e orgânicos. Nós aqui na Laborama acreditamos que é o conjunto de CPFs que dá alma e traz vida aos CNPJs.

Por isso, agora que já entendemos como as organizações evoluem, vamos olhar para os sete níveis de consciência das lideranças?

Nenhum processo de evolução e transformação ocorre nas organizações se não houver um profundo processo de desenvolvimento dos indivíduos que a compõem. E, para que seja efetivo e consiga perpetuar por toda empresa, esse processo precisa acontecer de forma verdadeira e genuína nas lideranças.


Enquanto líderes não se reconhecerem enquanto indivíduos, com todas suas potências e vulnerabilidades, o outro também não pode ser visto como ser humano integrado. Segundo Richard Barrett, criador do modelo dos sete níveis de consciência das lideranças e das organizações, lideranças autênticas são aquelas que têm elevado nível de autoconhecimento, que entendem e dominam as dinâmicas das organizações e dos times que lidera.

Mas, como funciona o modelo de sete níveis de consciência das lideranças?

Inspirado na pirâmide de Maslow, Barrett criou um modelo que entende os desejos e as necessidades das lideranças, bem como seu processo de desenvolvimento, que consiste em expandir as ações e decisões para além do ego, do medo e da matéria. Um(a) líder que consegue chegar nos níveis mais altos da pirâmide, é aquele(a) que consegue equilibrar suas ações entre o ter e o ser, entre ser um(a) gestor(a) e uma liderança de fato.

Nos três primeiros níveis de consciência da liderança, existem tanto comportamentos positivos e importantes para o desenvolvimento da organização, quanto aqueles que podem ser prejudiciais e nocivos para os time e a cultura. Esses últimos derivam da história pessoal de cada indivíduo e se revelam na organização pelo ego e medo (muitas vezes, inconsciente): de não ter ou não ser o suficiente. Quando existe um desequilíbrio no agir pelos três níveis, o desempenho da liderança e os resultados da organização podem ficar comprometidos.

Os aspectos que podem gerar esse desequilíbrio começam a se dissipar no nível 4, que é onde ocorre a verdadeira transformação das lideranças. Quando líderes assumem e enfrentam seus medos e inseguranças, começa o processo de integração e visão do todo. É aqui que o ego começa a aprender como misturar suas motivações com as da alma.

Nível 1: Gestor de Crise – Garantindo a viabilidade

Características:

  • Garante a estabilidade financeira e o valor para acionistas;
  • Cuidam da saúde e da segurança dos colaboradores;
  • São cautelosos em situações complexas;
  • Mantém perspectivas de longo prazo enquanto gerenciam os problemas e desafios de curto prazo;
  • Tem habilidade para lidar com crises: quando a sobrevivência da organização é ameaçada, sabem como retomar o controle.
  • Consegue manter a calma no meio do caos.

Por vezes, lideranças que operam com foco no nível 1 se tornam autoritárias e, com isso:

  • Perdem a confiança e o comprometimento das pessoas;
  • Encontram dificuldade em se relacionar com as pessoas de forma aberta e efetiva;
  • Têm dificuldade de promover autonomia porque confiam pouco nos outros;
  • Se tornam racionais ao extremo, incapazes de discutir aspectos emocionais e subjetivos que envolvem a liderança;
  • Escondem suas próprias emoções e vulnerabilidades por trás da posição hierárquica e autoritária;
  • Podem se tornar solitários e gananciosos;
  • Forçam limites e se concentram apenas em resultados de curto prazo.

Nível 2: Gestor de Relacionamento – Apoiando as relações

Características:

  • Lida com conflitos facilmente;
  • Investe tempo na construção de relações harmoniosas;
  • Expressa com transparência suas emoções;
  • Tem alta habilidade relacional;
  • Constrói lealdade com colaboradores;
  • Consegue comunicar com clareza as boas e más notícias para o time;
  • É acessível e dedica tempo para conversar com as pessoas;
  • Tem como prioridade a satisfação do cliente (interno e externo).

Líderes focados em relacionamento têm alta necessidade de reconhecimento e pertencimento. Por isso, podem:

  • Cair num outro extremo e fugir do conflito;
  • Manipular as pessoas para conseguir o que querem;
  • Mascarar suas emoções através do humor;
  • Culpar os outros quando as coisas dão errado;
  • Exigir lealdade, disciplina e obediência do time, na justificativa de que é sempre leal aos seus;
  • Operar através de uma liderança muito paternalista;
  • Encontrar dificuldade de confiar em que não faz parte do seu grupo;
  • Ter visão míope a respeito dos talentos que estão fora da sua área de atuação.

Nível 3: Gestor de Desempenho – Alcançando excelência

Características:

  • Orientado para resultados;
  • Traz lógica e ciência para seus argumentos;
  • Utiliza métricas para gerenciar desempenho;
  • Tem foco em excelência e qualidade;
  • Constrói sistemas e processos que criam ordem e eficiência para aumentar produtividade;
  • Tem alta habilidade analítica e pensamento estratégico;
  • É racional nas tomadas de decisão;
  • Antecipa problemas;
  • Tem iniciativa com acabativa;
  • Foca no desenvolvimento de carreira;
  • Tem abertura para aprender novas habilidades que potencializam seu crescimento profissional.

Líderes focados em desempenho podem se tornar competitivos em excesso e, com isso podem:

  • Se tornar gananciosos e famintos por poder;
  • Criar processos e burocracias para comprovar poder e autoridade;
  • Ser orientados para a conquista e competição com seus colegas;
  • Agir sempre com intenção de buscar status e reconhecimento;
  • Ter foco excessivo na sua autoimagem;
  • Se preocupar mais com a aparência das coisas do que de fato como as coisas estão;
  • Trabalhar em excesso, negligenciando outros aspectos da vida, inclusive a própria saúde.

Nível 4 – Facilitador/Inovador – Evoluindo corajosamente

É neste nível que as lideranças reconhecem seus medos e vulnerabilidades e escolhem, corajosa e conscientemente, transpor o ego e liderar a partir de algo maior: o equilíbrio entre o ter e o ser. Focam em cultivar os aspectos saudáveis de quem são, aprendendo como administrar, dominar ou liberar os medos que os mantém presos nos níveis mais baixos da consciência.

Características:

  • Constroem consenso;
  • Empoderam suas equipes;
  • Encorajam inovação, colaboração e trabalho em equipe; 
  • Reconhecem que não têm todas as respostas e buscam conselho sempre que necessário;
  • Dão autonomia com responsabilidade para os times;
  • Pesquisam e desenvolvem novas ideias;
  • Avaliam riscos de inovação;
  • Trabalham o autocontrole para abrir mão de gerenciar o trabalho dos outros;
  • Promovem colaboração, igualdade e diversidade no ambiente organizacional;
  • Não orientam sua gestão pela hierarquia;
  • São adaptáveis, flexíveis e adeptos à aprendizagem contínua;
  • São envolvidos com desenvolvimento pessoal e encorajam os times a olharem para autoconhecimento e autodesenvolvimento;
  • Estão em processo de autodesenvolvimento e redescoberta como pessoa e profissional;
  • Estão no processo de transformação, descobrindo como deixar de ser gerente para se tornar uma liderança facilitadora.

Nível 5: Líder autêntico – Expressão genuína

A liderança autêntica é aquela que integra e inspira as pessoas, a partir de um propósito maior, que expressa a autorrealização, missão e visão de longo prazo, considerando as necessidades da organização, dos colaboradores, clientes e da sociedade.

Características:

  • Compartilham seus valores e demonstram comportamentos coerentes que orientam a tomada de decisão em toda organização;
  • Têm coerência naquilo que falam e fazem;
  • Promovem a capacidade de agir coletivamente dentro da organização;
  • Exploram e estimulam ações construídas de forma colaborativa;
  •  Criam um ambiente de abertura, justiça e transparência;
  • Constroem confiança e comprometimento entre os coaboradores;
  • Potencializam uma cultura organizacional que envolve paixão, entusiasmo e criatividade;
  • Se preocupam em alcançar resultados que sejam positivos para todos;
  • Têm foco no bem comum e na visão sistêmica;
  • São solucionadores de problemas;
  • São honestos, íntegros e verdadeiros;
  • Têm facilidade em transformar problemas em oportunidades;
  • Têm inteligência emocional, social e intelectual;
  • São bons em potencializar o que há de melhor nas pessoas.

Nível 6: Líder Mentor e parceiro – Trabalhando em colaboração

Líderes que são mentores e parceiros são mobilizados por uma vontade genuína de fazer a diferença no mundo e isso faz com que se tornem a verdadeira liderança servidora. Trabalham para construir um ambiente onde as pessoas possam encontrar aquilo que realmente as motiva e que possam realizar seu verdadeiro potencial. 

Características:

  • Criam conexões e alianças estratégicas com pessoas que compartilham dos mesmos valores, visões e objetivos;
  • Estabelecem uma relação ganha-a-ganha com clientes e fornecedores;
  • Trabalham para tornar suas operações ecologicamente corretas;
  • São empáticos, se importam verdadeiramente com as pessoas e apoiam colaboradores a se realizarem pessoalmente através do trabalho;
  • Desenvolvem talentos na organização, através de processos como mentoring e coaching;
  •  Tomam decisões intuitivas e que prezam pela inclusão;
  • Constroem relações com a comunidade local e participam de ações que promovem o bem-estar social.

Nível 7: Líder Visionário – Vivendo o propósito 

Uma liderança visionária é sábia e se motiva pelo propósito de servir ao mundo, através do reconhecimento de necessidades globais. Lideranças que são guardiãs dessa sabedoria possuem uma visão holística da vida e estão sempre atentas à perguntas como “como eu posso ajudar?”, “o que mais eu posso fazer para contribuir?” e “o que eu posso fazer de diferente?”.

Características:

  • Estão sempre atentos às necessidades do mundo;
  • Se importam com o legado que vão deixar para as futuras gerações;
  • Não se dispõem a comprometer os resultados de longo prazo, com ações que só geram ganhos imediatos;
  • Estimulam as pessoas a pensarem em como podem fazer do mundo um lugar melhor;
  • Olham para os objetivos individuais e organizacionais a partir de uma perspectiva social;
  • Agem com humanidade, generosidade, paciência e compaixão;
  • Lidam bem com as incertezas, complexidades e ambiguidade dos cenários globais;
  • São admirados pela sabedoria e visão que possuem.

Agora que já resumimos os sete níveis de consciência da liderança, é importante alertar para um ponto: não existe nível melhor ou pior. Uma liderança íntegra e saudável é aquela que consegue operar considerando valores no espectro total da pirâmide e que sabe onde canalizar mais a sua energia de acordo com o contexto, sem perder sua essência e seus valores.

A partir dessa análise, você consegue identificar em qual nível você e/ou seus líderes estão operando? Desejamos que esse conteúdo ajude no seu processo de desenvolvimento e, consequentemente, na evolução da sua organização. Se precisar de uma ajuda nessa jornada, conta com a gente! 🙂

*Referência: os sete níveis de consciência da liderança, de Richard Barrett.

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