Lixeira com papéis amassados

O que você pensa sobre o fracasso?

“Errar é humano” e “é errando que se aprende” são clichês. Frases batidas que, de tão repetidas, acabam entrando por um ouvido e saindo por outro, mas que têm um grande fundo de verdade, pois aprender com os erros pode ser uma forma mais rápida de alcançar o sucesso.

A IDEO, renomada empresa global de design e inovação, tem como mantra a frase “failure sucks but instructs”, que nos mostra na prática como testar e errar pode nos apontar um caminho mais curto e direto para resultados positivos.

No mundo das empresas de inovação, há uma frase bastante utilizada que transmite uma mensagem mais direta: “erre cedo, aprenda rápido”. Ao assimilar essa ideia, a organização passa a enxergar o erro sob outra perspectiva, e o adota como uma ferramenta de gestão.

Aceite o erro

Em 1998, a Faculdade de Guerra do Exército dos Estados Unidos previu que o mundo teria cada vez mais volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, concebendo o acrônimo VUCA (volatility, uncertainty, complexity and ambiguity).

Expansão do empreendedorismo (e da concorrência), globalização, crise econômica, avanço da tecnologia… São questões que contribuem para esse contexto que nenhuma empresa pode ignorar nos dias atuais. A lição principal é que temos cada vez menos certezas.

E qual o impacto disso na hora de desenvolver um novo produto, serviço ou processo? Os planejamentos, que antes eram feitos a longo prazo, hoje precisam ser revisitados com frequência, já que a velocidade da transformação dos cenários de micro e macro ambientes está cada vez mais acelerada.

Flexibilidade, visão, resiliência e olhar sistêmico são outras características essenciais para empresas que querem se manter no jogo, em meio a tanta inconstância de mercado e tanta demanda de novos produtos e serviços, que hoje são vistos e desejados como experiências. E onde entram os erros nessa história?

De acordo com o professor Clayton Christensen, da Harvard Business School, 95% dos novos produtos lançados no mercado falham. Sua estimativa é bastante pessimista, mas outras pesquisas também indicam índices baixos de sucesso. Por que, então, em vez de investir no produto sem fazer nenhum teste com usuários, as empresas não prototipam suas ideias para entender o que o consumidor pensa sobre elas, antes de lançá-las oficialmente?

Ajustes normalmente são necessários. Por isso, é preciso aceitar o erro, aproveitar-se dele para adquirir preciosos insights e tentar de novo. Há inúmeros exemplos de referências mundiais no empreendedorismo e em outras áreas que, antes de alcançar a glória, fracassaram miseravelmente mais de uma vez.

Antes do Macintosh, a Apple lançou o Lisa, computador que, apesar de revolucionário, foi um fracasso de vendas. Até inventar um modelo comercialmente viável de lâmpada elétrica, Thomas Edison testou mais de dez mil protótipos. E ainda saiu com essa bela frase: “Eu não falhei, apenas descobri 10 mil caminhos que não funcionam”.

Um criativo não tem medo de errar

Criatividade. Eis uma qualidade que é fundamental valorizar para alcançar bons resultados em um negócio. No mundo VUCA de grande incerteza e competitividade, a saída é tentar o novo, o diferente, reinventar-se. O que acontece é que o erro – e a maneira como a empresa lida com ele – tem relação direta com a capacidade de criar coisas novas.

O peso de ter sempre que acertar bloqueia a criatividade e inibe os experimentos com soluções potencialmente inovadoras. Trata-se de um círculo virtuoso: no processo de experimentar, o pensamento inventivo é estimulado e os profissionais tornam-se mais criativos. É o que defendem Tom e David Kelley, fundadores da IDEO, no livro Confiança Criativa.

Mas é claro que ninguém deve ter o erro como fim. Ele deve ser um meio, uma parte do processo. Isso nos leva ao design thinking. Em uma definição inevitavelmente simplista, podemos dizer que o design thinking é uma metodologia que valoriza a criatividade, empatia e experimentação na criação de novos produtos.

Uma de suas características principais é a criação de uma equipe multidisciplinar, que contemple colaboradores de todas as áreas da empresa. Após um período de imersão no problema, são criadas soluções criativas para ele. Aí vem o pulo do gato: a fase seguinte é a prototipagem.

O objetivo do protótipo é possibilitar que uma ideia seja testada na prática de maneira rápida e com baixo custo. A maneira como o protótipo se materializa depende muito de qual é o produto ou serviço que a empresa está criando.

O importante é que os usuários possam ter contato e interagir com o que está sendo ofertado, para que a empresa possa perceber rapidamente o que as pessoas pensam e sentem enquanto estão experimentando.

A partir das interações entre o protótipo e os usuários, a equipe terá feedbacks qualificadíssimos para identificar quais erros cometeu no desenvolvimento da prévia do produto. A partir daí, são feitas as melhorias e mudanças de rumo necessárias e ele poderá ser lançado.

Claro que não há garantia de que a versão final agradará ao público e será um sucesso, mas a empresa já estará alguns passos adiante, pois já fez as melhorias necessárias antes de apresentar a novidade ao mercado. Isso é, segundo o design thinking, aprender com os erros.

Pratique o erro

Apresentamos a você o desafio do marshmallow: pegue um punhado com 20 espaguetes crus, fita adesiva e barbante. Utilize esses materiais para fazer uma torre que suporte, na maior altura possível, um marshmallow. Você tem 18 minutos para fazer isso.

Esse exercício aparentemente bobo é uma lição muito interessante para ilustrar a importância da tentativa e erro para o sucesso de uma empreitada. Conhecida no mundo todo, a atividade foi aplicada na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na disciplina de Criatividade, que reúne alunos dos cursos de Direito, Economia e Administração.

A maioria dos grupos falhou porque, segundo o professor Samy Dana, pensaram em uma estrutura, executaram e testaram apenas no final. O surpreendente é que, tradicionalmente, crianças têm um aproveitamento melhor do que os adultos no desafio, porque têm a cultura da “tentativa e erro” mais forte.

Leve esse ensinamento para a sua empresa. Pense, faça, teste e não tenha medo de errar. Permita que o marshmallow caia várias vezes na fase de prototipagem – ela serve para isso – e reduza as chances de insucesso no futuro.

Experimente o design thinking e alavanque sua empresa sem medo de falhar. A Laborama pode ajudar nisso. Se quiser saber mais, entre em contato com a gente 🙂

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