Convidamos você, leitor, a pensar no que significa a palavra produtividade sem recorrer a definições de acadêmicos da Administração. Uma pessoa costuma ser considerada produtiva quando realiza um grande número de tarefas em pouco tempo, certo? Pois em alguns meios, atualmente, essa ideia já é considerada obsoleta.

Mesmo sendo insuficiente, essa simples definição escancara que, ainda hoje, muitas empresas não acompanham a produtividade de seus colaboradores. Podem até pensar que o fazem, mas na realidade apenas monitoram o número de horas que seus funcionários dedicam ao trabalho.

Ora, se a produtividade é quanto um trabalhador rende em determinado período, a variável que o torna produtivo não é o número de horas trabalhadas, mas sim de tarefas entregues. É um bom tema para gestores e profissionais de recursos humanos, mas queremos, aqui, ir um pouco além e analisar a produtividade não apenas em relação à quantidade de trabalho realizado, mas sim à sua qualidade.

Produtividade pós-industrial

Já se falava em produtividade bem antes disso, mas a partir da segunda Revolução Industrial (cujo auge ocorreu de 1870 a 1914) ela começou a ser mais estudada e repensada na prática. Foi nessa época que surgiu o Taylorismo, também chamado de Administração Científica.

O Taylorismo era um modelo que organizava o trabalho por meio do estudo das tarefas, entre outros princípios. Seu criador, o engenheiro americano Frederick Taylor, entendia que era importante, por exemplo, medir o tempo que um trabalhador demorava para soldar uma peça – e pensar em maneiras de tornar esse trabalho mais rápido.

Tanto Taylor quanto Henry Ford (que anos depois criaria a linha de produção) serão lembrados para sempre pelas inovações que trouxeram. Mas estamos falando de práticas que nasceram há mais de 100 anos, em um contexto completamente diferente.

Hoje, fala-se na terceira Revolução Industrial. Ao contrário da virada do século, as fábricas não precisam mais de milhares de funcionários, pois as máquinas estão em constante aperfeiçoamento para substituí-los – o mesmo acontece no agronegócio, com colheitadeiras autônomas e drones pulverizadores.

É a era pós-industrial, em que o setor de serviços – comércio, alimentação, transporte, turismo, educação, etc. – assume o protagonismo na circulação do dinheiro e na geração de empregos. Nessas áreas, não é mais a lógica do engenheiro de produção que se aplica para aumentar a produtividade de uma companhia.

Subjetividade no trabalho

O renomado psicólogo e linguista canadense Steven Pinker apresentou, no livro Os Anjos Bons da nossa Natureza, o efeito Flynn. É o nome dado ao fenômeno observado pelo filósofo James Flynn, que analisou os resultados de testes de QI realizados em décadas, por pessoas de várias partes do mundo.

Como as pontuações têm aumentado, a conclusão de Pinker é que estamos ficando mais inteligentes. Sua maneira otimista de encarar o momento atual da humanidade se manifesta também em sua mais recente obra, Enlightenment Now (O Iluminismo Hoje), que Bill Gates considerou o melhor livro que já leu.

O que isso tudo tem a ver com a produtividade? O progresso tecnológico torna os trabalhos cada vez menos braçais e mais intelectuais, criativos e subjetivos. Enfim, humanos. Assim são os serviços da era pós-industrial, que não são tão facilmente medidos quanto o número de parafusos apertados por minuto.

Como gerenciar a produtividade na sociedade pós-industrial?

Infelizmente, não temos uma fórmula pronta para apresentar a você. Não é receita de bolo. Cada organização tem suas particularidades, seus processos, suas relações, e tudo isso deve ser levado em conta. O importante é ter muito claro na sua cabeça qual é o valor que a empresa quer gerar.

A partir daí, comece a fazer perguntas. O que eu espero de cada funcionário? Qual é a definição de um trabalho bem feito em cada setor da companhia? Em vez de apenas contar quantas tarefas o colaborador fez, procure outros métodos para avaliar o impacto de seu trabalho e o empenho que ele dedica para entregar o que se espera.

Não faz sentido, por exemplo, medir a produtividade de um programador pelo número de linhas de código que ele escreve. Afinal, ele pode desenvolver uma solução mais curta, simples e criativa, que proporciona um resultado muito melhor que um código mais complexo.

Uma vez diagnosticada a baixa produtividade de uma pessoa, continue abrindo a cabeça e fugindo das soluções mais simples. Se estamos falando de um funcionário que trabalha em casa, por exemplo, talvez o problema seja a falta de acompanhamento do gestor, e não o sistema de home office.

No caso de um colaborador que perde tempo demais acessando as redes sociais, em vez de proibir que esses canais sejam acessados na empresa toda, que tal ajudar quem está com o problema a gerenciar melhor o seu tempo? Ou buscar maneiras de aumentar o seu engajamento pelo serviço, para que ele não procure distrações?

Por último, mas não menos importante, você precisa saber que a gestão da produtividade é muito mais fácil quando a empresa tem uma identidade e um propósito claros. Não apenas para seus diretores, mas para todo o quadro de funcionários – o que demanda uma comunicação interna caprichada.

Mas isso é assunto para um outro artigo. Ou então para uma conversa. Quer saber como medir e melhorar a produtividade dos colaboradores da sua empresa? Venha tomar um café com a gente. Entre em contato por aqui e agende o nosso papo!

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