Há um fato recente rondando a nossa história enquanto humanidade do qual é impossível fugir: estamos todos em barcos diferentes, enfrentando uma mesma tempestade chamada COVID-19. De repente, sem mais nem menos, fomos invadidos por um vírus que nos coloca dentro das nossas casas e nos mantém presos a um estado de alerta constante. Nos mantém reféns dos nossos medos, dos nossos limites, dos nossos planos interrompidos e das mais diversas prisões emocionais que fomos construindo ao longo da nossa história.

Esta pandemia, ao mesmo tempo que trava a nossa liberdade, nos convida a sermos mais livres para mergulhar fundo dentro de nós mesmos e, a partir disso, refletir e questionar sobre diversos moldes nos quais encaixamos nossos pensamentos, sentimentos e ações, enquanto vivíamos num padrão de normalidade muitas vezes inquestionável.

Diversos padrões que julgamos normais, com os quais nos acostumamos a viver, são, de forma consciente ou inconsciente, atos de violência a nossa humanidade ou a sustentabilidade da Terra. A patologia da normalidade, conceitualmente chamada de normose, exige de cada um de nós um olhar sensível, crítico, corajoso e forte o suficiente para que, a partir de agora, possamos criar novos paradigmas e uma nova normalidade mais saudável para a nossa existência.

Trabalho há algum tempo como facilitadora de processos de cultura organizacional, o que me faz vivenciar de perto os questionamentos e mudanças de médias e grandes empresas. Tenho a sorte de atuar em organizações que estão passando por um processo evolutivo e transformador, que não mais separam o mundo dos negócios do cuidado com as pessoas, da comunidade em que estão inseridas e da responsabilidade com o meio ambiente.

Na nossa rotina, refletimos, nos emocionamos e construímos caminhos voltados para o bem comum — tentamos colaborar mais do que competir, divergir com respeito ao invés de criar muros entre as nossas diferenças, incluir o diferente como uma grande potência de ampliação de mundo e de criação de algo novo. Trabalhamos para simplificar a burocracia e criar processos mais ágeis. Acolhemos a vulnerabilidade e o erro entendendo que fazem parte da longa jornada de desenvolvimento a qual resolvemos colocar nossas mochilas nas costas e trilhar.

Na Laborama, empresa a qual eu sou sócia e facilitadora, estimulamos nossos clientes a criar novos futuros. Colocamos nossa alma e nosso coração para ajudar negócios a construírem no trabalho do dia a dia uma realidade na qual dará orgulho e satisfação em se viver.

Assim como as empresas, hoje o mundo todo tem a oportunidade de sonhar e criar um futuro em que desejaremos ardentemente estar. E isso precisamos fazer juntos. Ainda que distantes fisicamente, entendemos que não podemos mais separar a política, a saúde, a economia, as pessoas, as comunidades, os países, as sociedades, a natureza. Tudo faz parte de um mesmo mecanismo e, quando parte deste sistema adoece, todos adoecemos junto.

Qual o meu papel nesta engrenagem? O que eu preciso potencializar e transformar para que ela funcione melhor? Qual normalidade preciso manter e deixar de lado para que a roda gire numa velocidade capaz de nos tornar melhores?

Estamos com a faca e o queijo na mão para sonhar e realizar, para expandir nossa consciência e transformar, para, quando sairmos das nossas tocas, encontrarmos lá fora algo melhor do que tudo aquilo que já havíamos conhecido.

E você? O que está fazendo com esta oportunidade? Para onde você quer ir quando tudo isso, enfim, terminar? Como você quer fazer o que sempre fez daqui pra frente? Temos o poder de moldar o futuro. Pense em como quer que ele seja, não só para o seu próprio bem, mas para o bem comum e, antes mesmo de sair do sofá, comece a fazer acontecer.

O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o destino quanto o realizador.”

(Antoine de Saint-Exupéry)

Esse texto foi escrito por Laila Palazzo, Founder e Facilitadora da Laborama Inteligência Colaborativa.

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2 comentários em “Estamos com a faca e o queijo na mão. O que vamos fazer agora?

  1. sandra mariza piedras pistoletti disse:

    Excelente percepção. Acredito que, com a “correria” que vivíamos, e de, uma certa forma, vivemos, porém de forma mais amena, não tínhamos o olhar atento àquilo tudo que estava/está acontecendo a nossa volta. Espero, porém ainda não acredito, que as pessoas possam voltar melhores, pois hoje, o que vejo, principalmente em redes sociais, são ofensas, de critério político (principalmente), ninguém faz nada certo, sempre tem alguém pra colocar defeito, enfim, precisamos melhorar e MUITO.

  2. maria Alice Maciel Tavares disse:

    Adorei o texto, super interessante e me fez refletir e muito, em relação o que esta acontecendo, e o que eu estou fazendo, com essa oportunidade, de melhorias.
    Porque toda mudança, ela é para nós crescermos, evoluir, o difícil é saber por onde começar, no meio de tantas incertezas

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