No texto sobre fracassos e erros como alavancas para o desenvolvimento das empresas (leia aqui), falamos sobre a ideia de um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. Entre as consequências desse cenário está a necessidade de inovar — e para isso a criatividade é uma qualidade essencial.

Há quem pense que essa é uma característica intrínseca a todos nós. O gênio Pablo Picasso, por exemplo, disse que “toda criança nasce artista, o problema é continuarmos sendo artistas quando crescemos”. Na vida adulta, exigem que sejamos menos inventivos e mais racionais. Mas o potencial criativo ainda está lá, em algum lugar.

É por isso que, em vez de apenas pinçar candidatos com essa qualidade à flor da pele em processo seletivos, as empresas devem estimular a criatividade que está dentro de cada colaborador. Para isso, o caminho é criar um ambiente propício para que as mentes criativas floresçam cada vez mais.

Para quem gosta de futebol, é como ter um time com muitos talentos individuais que se sentem receosos em tentar um drible ou um chute a gol, preferindo o passe para o lado ou para trás. Essa equipe vai estar mais perto do empate do que da vitória.

Pense agora na empresa que você dirige ou na qual trabalha. Não vê nela um ambiente que estimula a criatividade? Nesse caso, a companhia provavelmente não passou se adaptou ainda aos novos formatos de trabalho.

Como se trabalha na nova economia?

No novo mindset das empresas, a criatividade é indispensável. Aliás, ele surgiu justamente da necessidade das empresas serem mais inovadoras e criativas, pois os formatos de trabalho antigos não acompanham mais as demandas de um mercado dinâmico, competitivo e globalizado.

Processos ágeis, colaboração e tecnologia fazem parte do novo cenário, mas a transformação não dará certo sem uma boa comunicação. E não estamos falando aqui em se comunicar com o público-alvo, e sim de um processo anterior: encarar o relacionamento com os colaboradores como uma via obrigatória para o desenvolvimento de uma nova cultura organizacional.

A seguir, listamos alguns pontos importantes para que uma empresa se aprimore, fazendo a transição de um modelo mais tradicional para os novos formatos de trabalho.

Empatia

A empatia pode ser definida como a capacidade que uma pessoa tem de se colocar no lugar da outra. Assim, pode compreender muito melhor seus desejos, medos, angústias, frustrações e alegrias. Fazer esse exercício é meio caminho andado para melhorar o bem-estar de um colaborador.

E você não deve encarar isso como caridade, pois estudos mostram que funcionários felizes rendem mais. Para chegar nesse resultado, não é necessário transformar a empresa em uma Google, enchendo-a de pufes, paredes coloridas, videogames e mesas de ping pong.

Basta se preocupar com a integralidade dos funcionários, prezando por suas dimensões física, intelectual, emocional, social, material e espiritual. Essa preocupação é, por si só, uma forma de comunicação, pois com ela o colaborador compreende a mensagem de que seu empregador o quer feliz e satisfeito.

Comunicação Não Violenta (CNV)

Exercitar a empatia mentalmente e não aplicá-la é inútil. Muita gente não se dá conta, mas colabora com o mal-estar dos funcionários na maneira com que se comunica com eles. Mesmo que não alterem o tom de voz, fazem críticas carregadas de crenças limitantes, julgamentos e comentários passivo-agressivos.

A forma como nos expressamos pode ter como consequência uma postura defensiva, resistente e combativa do interlocutor. Tendo isso em mente e utilizando a prática da CNV, evitamos conflitos e encaramos os diálogos como possibilidades de engajar o outro. Ela é baseada em quatro passos:

  • Observar a comunicação, sem julgar nem opinar;
  • Dar nome aos sentimentos que essa comunicação lhe causou – com sinceridade;
  • Identificar a necessidade que existe por trás do sentimento;
  • Aplicar a CNV fazendo pedidos claros, viáveis e sem exigências nas próximas comunicações com os colegas ou funcionários, adequando a linguagem às particularidades da pessoa.

Além de observar a maneira como nós nos comunicamos com os demais, é válido prestar atenção em como a outra pessoa age. A empatia também se manifesta quando entendemos que um comentário agressivo pode ser sinal de estresse, insegurança, vulnerabilidade, sobrecarga ou frustração. O que você poderia fazer para ajudar nisso?

Diálogo

Em entrevista à Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o designer Fred Gelli afirma que a criatividade é o resultado de duas competências: observação e capacidade de fazer conexões. Segundo ele, uma pessoa criativa é, acima de tudo, observadora. Mas, além disso, precisa ter a competência de estabelecer as conexões entre o que foi observado.

Abrindo espaços para diálogos horizontais, os criativos estarão em contato com observações de membros das mais diversas equipes, um material farto para fazer suas conexões. Para saber mais sobre a criação desses espaços, leia o artigo que publicamos sobre o assunto.

Erros

De nada adiantaria abrir espaços de diálogo e criação na empresa se os funcionários tiverem receio de explorar a sua veia criativa. Eles não terão a liberdade e segurança necessárias para criar se o erro for encarado, na empresa onde trabalham, não como algo natural, mas sim inaceitável.

Aqui, novamente recomendamos que você leia o artigo que dedicamos exclusivamente a esse assunto. A ideia é que, ao tentar inovar em um mercado com tantas incertezas, a chance de errar e fracassar é grande.

Portanto, o mais inteligente é aceitar o erro e se aproveitar dele para corrigir o curso do projeto, fazendo as modificações necessárias. Se possível, obtendo os insights necessários em uma fase de prototipagem, antes de se lançar ao mercado, o que torna o processo mais rápido e previne os prejuízos.

Processos ágeis

Seguindo as dicas anteriores, além de os profissionais encontrarem um ambiente propício para explorar seu potencial criativo, a tendência é que eles estejam mais engajados com o propósito da organização. E o engajamento (leia mais sobre o assunto aqui) resulta em maior dedicação ao trabalho.

É o cenário ideal para adotar os processos ágeis, outra marca dos novos formatos de trabalho. Eles são usados há muito tempo no desenvolvimento de softwares (com metodologias como o Scrum) e hoje são essenciais em startups, que têm entre suas características a previsão de rápido crescimento.

Para a criação de um novo produto, um processo interessante e extremamente ágil é o design sprint, criado pela Google. A ideia é testar uma ideia em cinco dias, envolvendo as fases de compreensão, divergência, decisão, protótipo e validação.

Conclusão

Quando um gestor diagnostica que sua empresa precisa inovar e ser mais criativa para encarar os desafios do mercado, é um erro olhar para os colaboradores individualmente e pensar em uma renovação no quadro de funcionários. Existem caminhos para apoiar as organizações nesse processo de mudanças, respeitando sua cultura e seus valores.

Quer saber mais sobre as práticas dos novos formatos de trabalho que mencionamos aqui ou conhecer outras dicas? Marque uma conversa com a gente 🙂

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