Não podemos falar de desenvolvimento e cultura organizacional, sem olhar para o desenvolvimento das lideranças. Afinal, empresas são sistemas sociais, vivos e orgânicos. Nós aqui na Laborama acreditamos que é o conjunto de CPFs que dá alma e traz vida aos CNPJs.

Pensando nisso, separamos dois conteúdos que servem como base e inspiração para o nosso trabalho de desenvolvimento organizacional e que podem te ajudar a identificar em qual nível de desenvolvimento a sua empresa está e, também, sob qual nível de consciência as lideranças estão operando. Vamos nessa? 🙂

Para começar, vamos abordar neste texto as fases de desenvolvimento das organizações. Mas, se você também quiser conhecer sobre os setes níveis de consciência da liderança, basta clicar aqui.

Como as organizações se desenvolvem?

“O ser humano tem vinte anos para aprender, vinte anos para lutar e vinte anos para tornar-se sábio.”

Com esse provérbio chinês, Jair Moggi e Daniel Burkhard abrem o capítulo sobre as fases de desenvolvimento das organizações, no livro O Espírito Transformador. Assim como indivíduos têm suas fases de desenvolvimento bem marcadas que, segundo a antroposofia, podem ser analisadas a partir da biografia humana e dos acontecimentos em cada setênio, as organizações também traçam um paralelo com o estágio de maturidade e desenvolvimento da vida humana.

Se as fases da vida humana, segundo Rudolf Steiner, podem ser divididas em nove setênios, a evolução das organizações se dá em quatro fases: pioneira, diferenciada, estruturada e associativa. Elas não têm necessariamente a ver com o tempo de existência de cada organização e, sim, com seu nível de consciência e evolução. Vamos conhecer cada uma delas?

  1. Fase Pioneira 

Essa é a fase onde a organização mais corre risco, aprende e entende os contextos a partir do agir. A ênfase da gestão é emocional e intuitiva e, frequentemente, está nas mãos de quem fundou a empresa. Nesse estágio, normalmente a pessoa que é dona da empresa ainda se faz muito presente na organização e é quem dá o tom, tanto da identidade, quanto das relações e da forma como se faz negócios. O grande desafio dessa fase é estruturar processos para crescer. 

Algumas características da fase pioneira:

  • Normalmente são organizações de pequeno e médio porte;
  • Possui uma estrutura simples, flexível e de poucos níveis;
  • É orientada para as pessoas;
  • O estilo de liderança é pessoal;
  • Os processos são pouco estruturados e normalmente acontecem por meio da improvisação;
  • Processo de decisão é intuitivo;
  • Tem uma atmosfera familiar e alta motivação;
  • Os objetivos e metas são implícitos.

Possíveis crises enfrentadas nessa fase:

  • Perda de confiança na liderança;
  • Falta de clareza de objetivos e direção;
  • Necessidade de definir papéis e responsabilidades;
  • Mudança significativa de mercados ou tecnologias;
  • Carência de profissionais com especializações técnicas.

2. Fase Diferenciada

Com o passar do tempo, a empresa começa a crescer e  se desenvolver e, com isso, os sistemas se tornam mais complexos. Fazer uma divisão mais clara de tarefas, implementar processos, determinar propósito, objetivos e metas se torna cada vez mais necessário. É o momento de expandir e de profissionalizar a organização, saindo de um espaço tão pessoal, para orientar decisões por políticas e sistemas. É exatamente nesse ponto que as empresas entram na fase diferenciada, que é caracterizada por uma gestão mais racional e técnica. A figura do(a) pioneiro(a) perde espaço e a estrutura organizacional é o que orienta o negócio. 

Algumas características da fase diferenciada:

  • Organizações em crescimento ou expansão;
  • Estrutura de hierarquia em diversos níveis;
  • Orientada para funções, normas, sistemas e procedimentos;
  • Liderança se torna mais formal, controladora e hierárquica;
  • Processo de decisão é racional e analítico;
  • Clima se torna mais competitivo e começam a acontecer “jogos políticos”;
  • As pessoas são motivadas pelo poder, cargo, salário ou especialização;
  • Os objetivos e regras são definidos de cima para baixo.

Possíveis crises enfrentadas nessa fase:

  • Perda de vitalidade e motivação;
  • Baixa produtividade;
  • Processos burocráticos em excesso;
  • Baixa criatividade, inovação e autonomia;
  • Relações com excesso de conflitos, privilégios e politicagem;
  • Lentidão, rigidez e falta de flexibilidade nas tomadas de decisão;
  • Desperdício de recursos;
  • Dilema entre centralizar versus descentralizar o poder.

3. Fase Integrada

Para seguirem no processo evolutivo, as empresas precisam se libertar do poder e potencializar a autonomia e a colaboração. Nesse momento, há uma busca pelo equilíbrio entre as demandas organizacionais e das pessoas. Na fase integrada, o foco é na proximidade com o cliente, por isso aqui é o momento em que as organizações começam a estabelecer processos que potencializam a jornada do cliente, colocando as pessoas no centro das ações. Analisando esse movimento, podemos considerar que as empresas também começam a desenvolver o olhar para o macro-ambiente, tendo mais consciência da sua responsabilidade social e ambiental. As relações com fornecedores e com a própria comunidade na qual está inserida começam a ficar mais humanizadas. A gestão se torna mais consciente e orgânica e essa transformação se reflete nos processos organizacionais. 

Algumas características da fase integrada:

  • Há espaço para autogestão, interdependência e trabalho em rede;
  • As relações são mais transparentes com os diversos públicos de contato;
  • A empresa é orientada para a jornada do cliente e dos fornecedores;
  • Os processos de trabalho se tornam mais orgânicos e flexíveis;
  • A liderança é participativa, integrada e com foco na equipe;
  • Os objetivos e metas são compartilhados;
  • A cultura valoriza as pessoas, a diversidade, criatividade e inovação. 

Quais são as condições para a fase integrada?

  • Ter consciência dos processos organizacionais;
  • Transparência como premissa para cultura e relações;
  • Maturidade para agir com independência de acordo com o contexto que se apresenta;
  • Capacidades interiores e habilidades externas para potencializar e agir com colaboração;
  • Habilidades de lideranças do futuro;
  • Iniciativas com acabativas;
  • Responsabilidade pelo próprio desenvolvimento;
  • Liderança que age a partir daquilo que é bom para as pessoas, a comunidade e a organização.

4. Fase Associativa

Pegando a referência do provérbio chinês que citamos acima, é na fase associativa que a organização torna-se sábia e plenamente consciente do seu papel social no mundo. Aqui, as empresas atuam com responsabilidade, produzindo bens e serviços que tenham valor agregado para as pessoas e o planeta. Os recursos são utilizados de forma consciente e as decisões são tomadas a partir de valores, propósito, missão e visão. O grande desafio dessa fase é conseguir fazer a gestão do negócio utilizando toda tecnologia disponível no mercado hoje e, ao mesmo tempo, manter as relações cada vez mais humanizadas.

Algumas características da fase associativa:

  • A identidade, filosofia, visão, os valores e a missão são conscientes em toda organização. que percebe-se como parte integrante de um sistema econômico, social e ecológico;
  • As relações são abertas e transparentes, tanto com colaboradores(as) e clientes, quanto com fornecedores e comunidade;
  • Os processos são fluídos, flexíveis e adaptáveis, que permitem responder com eficácia às necessidades de todos os stakeholders;
  • O desenvolvimento de produtos e serviços é ágil e responde com inteligência às necessidades e expectativas dos clientes;
  • Recursos são valorizados não só por sua capacidade de produzir resultados, mas também por possibilitar processos que garantam qualidade com mínimo de desperdício e que assegurem respeito às pessoas, ao meio ambiente e sua preservação.

Agora que já conhecemos as fases de desenvolvimento das organizações, vamos olhar para os sete níveis de consciência das lideranças? Clica aqui para conferir o conteúdo 😉

*Referência Bibliográfica: O Espírito Transformador – A essência das Mudanças Organizacionais no Século XXI. Jair Moggi & Daniel Burkhard. Editora Antroposófica.

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