Xícara de café com desenho de flor

Só quem já sofreu com estresse e ansiedade sabe como eles podem atrapalhar uma atividade profissional. O irônico é que, muitas vezes, a origem desse tipo de problema está justamente no trabalho. E quando um gestor lida com a situação apenas com cobrança ou com a demissão do colaborador, está completo o círculo vicioso.

A solução para quebrá-lo é descobrir o que está gerando a insatisfação dos funcionários e virar o jogo: em vez de alimentar incômodos e angústias, prezar pela felicidade e bem-estar do empregado. Quem consegue realizar isso na prática acaba criando outro círculo, dessa vez virtuoso.

Afinal, em um estudo global feito pela Xerox, o engajamento dos colaboradores foi a área mais citada por gestores (86%) questionados sobre onde notaram maior impacto após a implantação de programas de bem-estar no trabalho. Em segundo lugar (82%) está a melhora na imagem organizacional.

E não para por aí. Neste artigo, apresentaremos outros dados interessantes que ajudam a entender qual a importância do bem-estar dos colaboradores. E também alguns insights para que os gestores não fiquem apenas tateando no escuro.

Você vai notar que em alguns momentos falamos em felicidade e não em bem-estar. Embora seja possível distinguir um sentimento do outro, vamos colocar tudo dentro do mesmo pacote: sentir-se bem, estar satisfeito e sentir a prevalência de emoções positivas.

1. Bem-estar aumenta a produtividade

Em uma pesquisa da Sodexo, 86% dos entrevistados (4,8 mil líderes de pequenas e médias empresas do Brasil, México, Chile, França, Romênia, Turquia e Índia) notaram aumento na produtividade dos funcionários após a adoção de ações que melhoram o bem-estar dos funcionários (recompensas por esforços, mais conforto, treinamentos e planos de carreiras).

O mesmo estudo da Xerox que mencionamos antes aponta que o aumento da produtividade foi citado em 76% das respostas sobre o impacto dos programas de bem-estar nas empresas.

O que você já deve saber é que o resultado disso é um incremento nas receitas sem uma grande revolução na estrutura da empresa. No fim, o custo-benefício dos programas de bem-estar será excelente, pois o investimento é baixo se comparado com o aumento nos ganhos.

2. Bem-estar gera recrutamento e menos rotatividade

As novas gerações de profissionais estão cada vez mais preocupadas com o bem-estar no trabalho. Ao mesmo tempo, está mais fácil do que nunca buscar informações sobre o ambiente em empresas empregadoras (considerando que plataformas de employer branding como a Love Mondays estão crescendo).

É por isso que o recrutamento também foi citado por 76% dos entrevistados no estudo da Xerox como uma área em que os programas de bem-estar têm impacto positivo. Na mesma categoria está a retenção. Porque não basta apenas ter a imagem de um bom lugar para trabalhar, é preciso que a prática seja equivalente, assim os talentos não terão pressa em sair.

Os benefícios dessa realidade são vários. Para começar, poupa-se as despesas rescisórias exigidas na legislação trabalhista e o tempo gasto com a seleção de um substituto. Os feedbacks passam a acontecer de forma mais leve, os investimentos se voltam para ações de desenvolvimento humano e preserva-se um valioso capital humano que teria reposição difícil.

3. Felicidade não é só dinheiro

Em 2016, a Boston Consulting Group (BCG) publicou o relatório Understanding Brazil’s Workforce in a Troubled Time. O trabalho traz um ranking com os dez principais indicadores de felicidade no trabalho segundo os próprios trabalhadores. E, surpreendentemente, o dinheiro sequer aparece na lista. Veja:

  1. Reconhecimento pelo trabalho
  2. Aprendizado e desenvolvimento da carreira
  3. Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
  4. Bom relacionamento com superiores
  5. Bom relacionamento com colegas
  6. Valores da empresa
  7. Estabilidade financeira da empresa
  8. Oportunidade para liderar e assumir responsabilidades
  9. Reputação do empregador
  10. Atividade com conteúdo interessante

Claro que isso não significa que o dinheiro não é importante. Os funcionários ainda precisam receber um salário condizente com suas atividades. O que o ranking mostra é há muitas outras necessidades que devem ser supridas para gerar felicidade e bem-estar de verdade.

4. Autonomia e protagonismo são importantes

Há gestores que pensam que a melhor maneira de garantir alta produtividade e eficiência em seus subordinados é controlando-os com mão- firme. Alguns têm até orgulho dessa postura e acabam se comunicando de maneira ofensiva.

A verdade é que esse pensamento pode ser um tiro no pé. Segundo pesquisa realizada pela Page Talent, 58% dos profissionais brasileiros têm mais facilidade quando desenvolvem de maneira independente suas tarefas. Entre os jovens de 18 a 24 que foram entrevistados, 35% apontaram a falta de autonomia como principal causa de desmotivação.

Um bom começo pode ser abrir espaços para diálogos horizontais entre pessoas de diferentes equipes e de níveis hierárquicos distintos. Assim, alimenta-se a sensação de que a opinião de cada um importa, preparando os colaboradores para uma realidade com maior autonomia.

5. Fomentar relacionamentos melhores

Na impactante obra Raízes do Brasil, o historiador Sérgio Buarque de Holanda foi talvez quem mais se aproximou de decifrar o perfil do brasileiro ao defini-lo como “homem cordial”. O que não é sinônimo de gentil para o autor, mas sim de uma pessoa que se deixa levar pelo coração mais do que pela racionalidade – para o bem e para o mal.

Somos altamente sociáveis e, por isso, as relações interpessoais contam muito mesmo no ambiente corporativo. Lembre-se que bom relacionamento com superiores e com colegas ocupam a quarta e quinta colocação no ranking de itens que causam a felicidade no trabalho, no relatório da BCG que apresentamos antes.

Para o gestor, isso não significa que ele precisa transformar a empresa em uma família e tratar a todos como se fossem parentes. Esse exagero pode até trazer outros tipos de problema. Em vez disso, o certo é desenvolver a inteligência relacional, comunicação não-violenta e outras práticas em que predomina a empatia.

Essas são apenas algumas ideias. Para implementar uma cultura que valorize o bem-estar dos colaboradores, é importante ouvi-los. Não faça suposições, procure descobrir quais são suas verdadeiras demandas. Se quiser saber mais sobre o assunto, marque uma conversa com a gente 🙂

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